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FESTA DE NATAL NO TEMPLO
FESTA DE NATAL NO TEMPLO

Festa de Natal no Templo em Jerusalém

O nascimento de Jesus foi o acontecimento mais significativo da História. Com Sua vinda a este mundo, confirmou-se a esperança de salvação, a promessa de luz sobre as trevas e a certeza de que Deus não se esquecera da humanidade.

Jesus, como legítimo menino judeu, foi submetido a todos os rituais exigidos pela Lei de Moisés. Acompanhando os acontecimentos iniciais de Sua vida, podemos ter uma idéia mais clara da importância deles e do cuidado extremo de Deus em fazer com que Seu próprio Filho cumprisse tudo que Ele havia ordenado ao povo de Israel.

O sacrifício de purificação de Maria

Maria e as ordenanças da Torá para mães no período pós-parto

Depois do nascimento de Jesus em Belém (relatado em Mateus 2.1ss., Lucas 2.1ss.), Maria foi considerada ritualmente impura por 40 dias segundo a lei para parturientes em Levítico 12.1-8 (veja também Lv 15.5-8). Sete dias depois de dar à luz, no final do dia, ela deveria imergir em um banho ritual. Normalmente uma pessoa que se submetia a essa cerimônia era considerada pura na noite do dia seguinte, mas no caso do parto as normas eram outras. A parturiente somente poderia ser considerada purificada pelo banho ritual na noite do 40º dia [após o parto], ou seja, no final de um “longo dia” de 33 dias (conforme citado no Comentário de Rashi, erudito judeu, sobre Levítico 12.4). No dia seguinte ela podia apresentar sua oferta de purificação no Templo. Para isso Maria e José se dirigiram com o bebê a Jerusalém, ao Templo do Senhor (Lucas 2.22-24): “Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado; e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos” (veja também Levítico 12.8). A Lei do Senhor ordenava: “Consagra-me todo primogênito; todo que abre a madre1 de sua mãe entre os filhos de Israel, tanto de homens como de animais, é meu” (Êxodo 13.2).

Oferta de pessoas pobres

A Torá exige que a mãe que teve um filho traga um cordeiro de um ano para o holocausto e uma rola[2] ou um pombinho[3] para o sacrifício pelos pecados (Levítico 12.6). Mas se alguém fosse muito pobre e não pudesse trazer esse sacrifício, a Lei permitia trazer apenas duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado (Levítico 12.8).

A palavra “rola” significa “pomba adulta”, diferente dos “pombinhos” da mesma espécie.[4]

Maria no átrio das mulheres

Maria e José viviam em pobreza, de modo que não tinham condições financeiras para apresentar os sacrifícios usuais.[5]

Maria dirigiu-se ao átrio das mulheres e depositou o valor correspondente ao seu sacrifício de aves nos gazofilácios número III e IV, que tinham a inscrição: “Ofertas de Aves” e “Pombas Para o Holocausto”.

Enquanto um sacerdote sacrificava as pombas no altar e as apresentava como sacrifício, seguindo prescrições detalhadas, Maria, depois de subir a escadaria de quinze degraus, encontrava-se diante da porta de Nicanor.[6] Como não estava trazendo sacrifícios que exigissem a imposição de mãos, ela não precisava passar pela porta que ficava ao norte, nem pela área da Shekiná (= átrio interno) para chegar ao local de sacrifício no altar.

Após a apresentação do sacrifício, Maria estava ritualmente limpa (Levítico 12.8).

Vista do átrio das mulheres

Vista do átrio das mulheres

  1. Porta de Nicanor
  2. Pódio do coro do Templo e da orquestra
  3. Átrio das Colunas com os treze gazofilácios
  4. Galeria das mulheres
  5. Candelabro
  6. Câmara das Pedras de Cantaria

A mãe impura e a criança pura

Nesse contexto, prestemos atenção ao seguinte: segundo a Lei, após o nascimento a criança não era considerada impura, somente a mãe o era. Por isso, apenas a mãe tinha de ser purificada pelo banho ritual e pelos sacrifícios no Templo. Esses detalhes nas prescrições dos rituais de purificação nos trazem lições espirituais bem mais profundas: Maria era pecadora como todas as outras pessoas (Romanos 3.23). Ela também precisava de um Salvador, o que testificou maravilhosamente no seu cântico em Lucas 1 (v. 47). Somente a criança, Jesus, era imaculada e perfeita em todos os aspectos (2 Coríntios 5.21; 1 João 3.5).

Cumprimento da profecia messiânica de Malaquias relativa ao Templo

Esse foi um dia extremamente especial dentro do contexto do Plano de Salvação. Nessa ocasião cumpria-se pela primeira vez a profecia do último profeta do Antigo Testamento, que havia dito que o Messias viria “de repente” ao seu Templo (Malaquias 3.1).

A profetisa Ana no Templo

Para uma mulher judia, a visita ao átrio das mulheres era um acontecimento extraordinário. Ela não podia se aproximar do Templo além desse ponto, a não ser que o sacrifício que queria trazer ao Senhor exigisse a imposição de mãos, para o que teria de entrar pela porta das mulheres, que ficava no átrio interno ao Norte, dirigindo-se ao lugar do holocausto no altar. Quando as mulheres iam ao Templo para orar, ficavam no átrio das mulheres.

Lucas, ao relatar o nascimento de Jesus e a purificação ritual de Maria que aconteceu mais de um mês depois, fala também de uma profetisa que sempre podia ser encontrada no Templo, a viúva Ana, da tribo de Aser: “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lucas 2.36-38).

Ana e o primeiro século antes de Cristo

Por ocasião do nascimento de Jesus, Ana tinha 84 anos de idade. Concluímos que ela vivenciou pessoalmente a maior parte da história emocionante e turbulenta do povo de Israel no primeiro século antes de Cristo, período marcado por forte expectativa pela vinda do Messias.

O nascimento de Ana

Ela nasceu no final do reinado de Alexandre Janeu (103-76 a.C.). Este era descendente da dinastia dos macabeus e assumiu indevidamente o título de rei. Como seu irmão Aristóbulo (104-103 a.C.), ele também transgrediu o princípio bíblico da separação de poderes e unificou o reinado e o sacerdócio, o que só deveria acontecer na pessoa do Messias.

O Monte do Templo hoje

O Monte do Templo hoje

  1. Área do Átrio das Mulheres
  2. Localização da escadaria de quinze degraus diante da Porta de Nicanor
  3. Localização do altar
  4. Localização da Porta dos Primogênitos

Invasão romana de Jerusalém

Após a morte de Janeu, Alexandra, sua viúva, assumiu o governo (76-67 a.C.). Foi uma era dourada muito breve. Os filhos de Alexandra, Hircano II (reinou em 67 e de 63 a 43 a.C.) e Aristóbulo II (67-63 a.C.) disputaram o poder, dando aos romanos pretexto para marchar sobre Jerusalém para restabelecer a ordem.

Os edomitas tomam o poder

Por volta de 47 a.C., Júlio César fez de Antipater procurador da Judéia. Mas este foi morto em 43 a.C. Seus filhos Herodes e Fasael deram continuidade à sua política. Após a vitória de Otaviano (filho adotivo de César, o futuro imperador César Augusto) sobre os inimigos de seu pai em 42 a.C. em Filipos (na Macedônia), Fasael e Herodes foram nomeados “Tetrarcas da Judéia”.

No ano de 40 a.C. a Judéia foi ocupada pelos partas. Estes fizeram de Antígono (40-37 a.C.; filho de Aristóbulo II) rei-sacerdote em Jerusalém. Em Roma, Herodes foi nomeado “Rei dos Judeus” pelo Senado.

Após três meses de sítio, Herodes conseguiu conquistar Jerusalém com tropas romanas em outubro de 37 a.C., no dia do Yom Kippur. Antígono foi executado. Começava o domínio sangrento de Esaú (através de seus descendentes, os edomitas) sobre o povo de Jacó.

O primeiro encontro com o Messias no Templo

Depois de apenas sete anos de casamento, Ana tornou-se viúva. Ela tinha uma percepção bem nítida da época em que vivia e tornou-se uma mulher de oração. O Segundo Templo era, por assim dizer, sua segunda casa, onde ela esperava pelo Consolador prometido a Israel.[7]

Depois de décadas de espera ansiosa pela interferência de Deus, ela teve o privilégio de se encontrar pessoalmente com o Messias quando este, com poucas semanas de vida, fez sua primeira visita ao Templo. Esse acontecimento, a que poucos dão atenção, tem grande significado no Plano de Salvação e causou no coração de Ana uma gratidão muito profunda para com Deus. Quando viu o bebê, ela começou a falar sobre o cumprimento das profecias messiânicas dadas pelo Senhor no Antigo Testamento a todos os moradores da cidade de Jerusalém que também esperavam pelo Salvador prometido .[8]

Na Porta dos Primogênitos

A apresentação dos filhos primogênitos

Depois do nascimento do Salvador em Belém, Maria estava ritualmente impura por mais de um mês. Ela teve de purificar-se através de um banho de imersão e através dos sacrifícios prescritos na Lei.

No 41º dia após o nascimento, ela, José e o menino vieram ao Templo em Jerusalém para apresentar os sacrifícios exigidos em Levítico 12.

Esse momento era oportuno para resgatar o filho primogênito através do ritual de Pidjon Ha-Ben (em hebraico significa resgate do filho).[9]

O significado da primogenitura em Israel

Para entender o significado desse procedimento, são necessárias algumas observações prévias:

Após a execução do juízo divino sobre os primogênitos egípcios, o Senhor declarou propriedade especial Sua todos os primogênitos israelitas, uma vez que estes haviam sido poupados por causa do sangue do cordeiro, imolado em seu lugar. A partir de então, os filhos mais velhos passaram a ser consagrados para o ministério do Senhor.[10]

A tribo de Levi em lugar dos primogênitos

Depois de ter recebido oralmente a lei no monte Sinai, a nação de Israel falhou tragicamente ao adorar o bezerro de ouro (Êxodo 32). Nessa situação de crise, a tribo de Levi demonstrou especial fidelidade e dedicação a Deus (Êxodo 32.26-29). Em razão dessa atitude, o Deus Eterno elegeu essa tribo para exercer o sacerdócio e para ministrar no santuário, ocupando a posição que era dos primogênitos de todas as doze tribos de Israel (Números 3.12; 8.16,18).[11] Os primogênitos dos levitas não precisavam ser resgatados logo após seu nascimento, mas os primogênitos das outras onze tribos tinham de ser resgatados por cinco siclos de prata. Esse valor destinava-se ao sustento dos sacerdotes. O resgate podia ser efetuado a partir do 31º dia após o nascimento (Números 18.16). Porém o dia específico para esse ritual não é definido pela Torá.

O dinheiro do resgate

Esse ritual é praticado ainda hoje no judaísmo. Nos Estados Unidos é costume dar os cinco siclos na forma de cinco dólares de prata. A prática de hoje é como naquela época: os pais escolhem o sacerdote que receberá o dinheiro e proferirá a bênção sobre o recém-nascido.

Maria e José cumpriram as duas ordenanças na mesma oportunidade: a apresentação do primogênito e a purificação da mãe após o parto. Assim, no 41º dia de vida do menino Jesus, realizaram os dois rituais exigidos pela Lei de Moisés.

Entrada pela porta do meio

O texto de Lucas diz que os pais levaram o menino a Jerusalém e o apresentaram ao Senhor. Por onde eles entraram para cumprir o mandamento do Pidjon-Ha-Ben?

Sabemos que a porta do meio da edificação de acesso ao Templo no lado Sul do átrio era chamada de “Porta dos Primogênitos” (sha’ar ha-bekhoroth).[12] Portanto, Maria e José vieram do Sul e subiram pelas escadas, entrando pela porta do meio em direção à área da Shequiná.

O Messias nos braços do sacerdote

No mesmo dia em que Maria e José tinham de cumprir suas obrigações no Santuário, Simeão o Justo também veio ao Templo. Na Porta dos Primogênitos ele tomou o menino nos braços – como se costumava fazer por ocasião do resgate dos primogênitos. Seguramente Simeão era um sacerdote que, movido pelo Espírito Santo, veio ao Templo justamente nesse momento, tendo a oportunidade de praticar com o Messias a cerimônia de Pidjon Ha-Ben. Ele já havia esperado com muita ansiedade a chegada do Salvador prometido, e foi o escolhido para cumprir a tarefa sacerdotal de resgatar o primogênito (Lucas 2.22-35).

Viagem a Jerusalém

“Passados os dias da purificação segundo a Lei de Moisés,[13] levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito[14] ao Senhor será consagrado [Êxodo 13.2]; e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos” [Levítico 12.8] (Lucas 2.22-24).

Simeão o Justo

“Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel;[15] e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo...” (Lucas 2.25-27a).

Oração na Porta dos Primogênitos

“...e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir[16] em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação,[17] a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel. E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia” (Lucas 2.27b-33).

Bênção sobre os pais

“Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino será destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2.34-35).

O menino não recebeu bênção

Que singular cerimônia de Pidjon Ha-Ben! Normalmente o sacerdote designado para proferir a bênção abençoava a criança. Simeão, propositalmente, não o fez. Em lugar da criança ele abençoou os pais (Lucas 2.34). Ele estava observando o princípio espiritual expresso em Hebreus 7.7: “Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior”.

O velho Simeão não tinha o direito de abençoar o Messias. Diante de Deus, ele era inferior ao menino de 41 dias de idade, pois este era o eterno Filho de Deus que se tornara homem. Maria e José, sim, podiam ser abençoados por ele. Maria, como mãe de Jesus, e José como pai de criação do Messias, eram pessoas normais como todos nós. Eles simplesmente haviam sido escolhidos pelos desígnios soberanos de Deus para realizar tarefas específicas.

Rami Ayad

A Torá exige que a mãe que teve um filho traga um cordeiro de um ano para o holocausto e uma rola ou um pombinho para o sacrifício pelos pecados (Levítico 12.6).

O Messias e o sacerdócio levítico

Os cinco siclos de prata entregues a Simeão, que certamente iria morrer em breve, foram a contribuição do Messias com o sacerdócio levítico, que por sua vez era uma sombra do futuro ministério messiânico, que viria a ter nEle seu cumprimento pleno.

O Messias nasceu para morrer. Na cruz Ele iria oferecer a Si mesmo como sacrifício, para nos resgatar sem o uso de “coisas corruptíveis, como prata ou ouro... mas pelo [Seu] precioso sangue” (1 Pedro 1.18-19).

A identificação de Jesus com Seu próprio povo, sua submissão aos rituais e ordenanças da Lei, tudo isso nos comove e enche nosso coração de gratidão. Ele se identifica conosco, sabe quem somos, conhece nossas dores e nossos anseios. Neste tempo de Natal, só nos resta agradecer de todo o coração a Ele, por ter se feito homem por nós e por ter assumido como Sua a nossa culpa. (Dr. Roger Liebi).

 

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